Blue mondays
How does it feel?
Choveu. Choveu muito na sexta, no sábado, o dia inteiro. Choveu quase torrencialmente no domingo. Toda esperança pede licença e se recolhe ao fim das tardes de domingo. Choveu tanto que quase desisti da lua e das estrelas, fechando minhas cortinas contra as gotas de cristal que batiam no parapeito e respingavam.
Respingavam mais do que a minha esperança durante a semana que passou.
Veio a segunda, e com ela, de novo, o labor. O menino acordou cedo, com a fralda cheia. Me acordou, pediu um banho quentinho. Ficou ali, deitado com a barriga sobre o banquinho de plástico, curtindo a água morna. Lá fora, a chuva havia dado uma trégua. Veio o sol, junto com o dia de tudo recomeçar. As nuvens, branquinhas e ralas, avisaram sua partida. O menino, após o banho, quis brincar no canteiro. Riscou um coração no chão, quis que eu adivinhasse as cores. Agora vou desenhar um planeta terra!. O sol batia nas plantas, nas folhas. Uma abelha dançava vagarosamente, de flor em flor, tentando sugar o néctar. O menino tinha dificuldade para pronunciar o néctar que a abelha não conseguia sorver. As flores estavam cheias de água, transbordando, quase. A pobre abelhinha era paciente, mas não conseguia descansar suas patinhas em nenhuma pétala. Havia um lago em cada flor.
Assim são as segundas-feiras: exigem um longo trabalho, uma ardente paciência, a persistência dos trabalhadores que acordam cedo, que despertam a aurora, que encontram muita água a inundar as flores pela manhã, e que, por ora, produzirão bem pouco mel. Mas há uma colmeia inteira para alimentar. É preciso persistir.
A abelhinha continuou dançando para lá e para cá. Estranhei: as abelhas são tão organizadas, tão racionais. Não costumam voltar às mesmas flores… As abelhas não são como os meninos; já nascem prontas. Nós precisamos nos reconstruir a cada segunda.

